Na
corte de Napoleão, Carlos conheceu Júlia Colbert,
uma mulher dotada de finíssima sensibilidade e de
genuína espiritualidade. Apesar da diferença
de temperamento e caráter, houve uma imediata sintonia
nos valores profundos e nos ideais de vida. Casaram-se no
dia 18 de Agosto de 1806. A relação de amor
foi se tornando cada vez mais forte porque era baseada na
fé na caridade e no dever. O casal não teve
filhos, mas soube ler nesse fato doloroso o desígnio
providencial de Deus. Juntos, se esmeravam como apóstolos
da caridade cristã, “adotando” os pobres
de Turim como lugar da revelação do amor e
da misericórdia do Pai e da dignidade dos filhos
de Deus. Viveram assim a paternidade e a maternidade espiritual
fecundíssima, dando exemplo de família aberta
à evangelização e ao dom de si aos
irmãos.
Um
caminho difícil...
O caminho de Carlos Tancredi e Júlia não foi
fácil, isento de obstáculos. Exatamente por
serem ricos e nobres, tiveram de vencer as críticas
daqueles que dizem amar a humanidade, mas não sabem
não querem sujar as mãos, e tiveram de vencer
a tentação de ficarem tranqüilos no próprio
palácio, administrando para si os próprios
bens...mas eles preferiram trilhar o “caminho estreito”
. O caminho do casal foi um autêntico caminho ascético,
um abaixar-se, um esvaziar-se das próprias exigências,
para fazer-se dom. Foi um abrir-se ao trabalho da graça,
à ação do amor misericordioso de Deus,
numa experiência de gratidão e gratuidade em
que tudo é reconhecido como dom e graça; até
mesmo as adversidades do caminho tornaram-se graça.
No meio dos pobres...
Carlos
e Júlia, sendo de condição nobre, em
solidariedade com seus irmãos, preferiram trilhar
o “caminho estreito” do Evangelho: abaixaram-se
com humildade e amor para erguer os mais aflitos. Souberam
reconhecer, sobretudo nos miseráveis e infelizes,
a imagem daquele Deus que imprimiu em cada pessoa um destino
de felicidade. Viveram numa constante abertura ao trabalho
da graça e a ação do amor Providente
e Misericordioso de Deus.
Júlia se dedicou de modo todo particular ao problema
das prisões. Visitava as presidiárias e estabelecendo
com elas uma relação pessoal, para conduzi-las
à experiência concreta do amor de Deus Pai
que cuida das suas criaturas. Denunciou junto ao governo
a triste situação das prisões e apresentou
propostas concretas para acabar com os abusos e humanizar
a vida nos cárceres. Esta experiência levou-a
a fundar uma Congregação feminina: as “Irmãs
penitentes de santa Maria Madalena”, hoje chamada
de Filhas de Jesus Bom Pastor.
Carlos Tancredi se dedicou particularmente à educação
preventiva, à instrução e formação
das crianças e dos jovens. Assumiu também
encargos de certa relevância política: foi
prefeito de Turim, realizando escolhas concretas em favor
do desenvolvimento integral dos seus concidadãos.
Em
suas iniciativas de caridade, os pequenos ocuparam o lugar
principal: para eles instituiu no seu palácio o primeiro
jardim de infância do Piemonte, para acolher os filhos
dos operários pobres, a fim de os retirarem da rua.
E em 1834, de comum acordo com sua esposa, fundou o Instituto
das Irmãs de Santa Ana, para continuar na Igreja
a missão de ser para os pequenos e pobres “Instrumento
da providência de Deus”.
Carlos Tancredi morreu no dia 04 de setembro de 1838, nos
braços de sua amada esposa.
Santidade
de casal...
O amor de Deus, sobre o qual construíram suas vidas,
continua a brilhar ainda hoje através de suas obras.
As Congregações religiosas por eles fundadas
encaminharam o Processo de Canonização, manifestando
o desejo de que Carlos Tancredi e Júlia sejam proclamados
bem-aventurados e, enquanto casal brilhe como modelo de
santidade para todas as famílias. Pois eles mesmos
tornaram-se: Providência, misericórdia e esperança.