 |
Na
minha infância foi raro o contato com religiosas,
pois eu morava no sitio. Entretanto desde cedo percebia
no meu coração o desejo de “ser irmã”.
Olhando para trás percebo que o desejo cresceu
à medida que com minha família participava
na comunidade do “Bairro Noite Negra”, Município
de Anhumas/SP, onde além da catequese e das celebrações
se fazia mensalmente a hora santa vocacional. Fui tomando
consciência que Jesus me atraia a Si e me desafiava
a ir encontro algo novo. Responder àquele chamado
de Deus significava deixar a segurança que tinha
na minha família composta por meu pai, minha mãe,
três irmãos e cinco irmãs, e confiar
que o
Senhor
me conduziria em meio a situações e pessoas
até então desconhecidas.
Até
me admiro que aos 16 anos eu tenha tomado a decisão
de deixar minha família a fim de “ir para
o convento”, pois até então tudo era
pensado, decidido, escolhido por meus pais ou principalmente
por minha irmã mais velha. Por um lado isso foi
um dom, uma proteção, mas por outro lado
a partir de então foi necessário empreender
um grande e contínuo esforço para
|
crescer
e desenvolver meu próprio modo de ser, de pensar
e de agir. Percebo com muita gratidão que o Senhor
sempre me conduziu e em cada tempo proporcionou-me vivências
oportunas para eu crescer. Sempre colocou em meu caminho
pessoas que foram e são instrumentos no contínuo
processo de integração da minha história,
processo que me ajuda a reconhecer seja os dons recebidos
gratuitamente, seja os limites e fragilidades, e a entregar
tudo ao Pai Providente e Misericordioso que acolhe,
cura e salva.
Hoje
percorrendo esse caminho há 25 anos (pois entrei
na Vida Religiosa em 1986!), rendo graças a Deus
que é fiel e que continua desafiando-me a segui-Lo
radicalmente fazendo da minha vida um dom para os meus
irmãos e irmãs. Ele coloca no meu coração
uma saudável inquietação diante
dos pequenos e dos pobres e pede que eu seja Seu instrumento,
que eu me comprometa com a construção
do Seu Reino onde todos são à Sua imagem,
dignos de Vida Plena.
Confio
ao Senhor a Família Religiosa das Irmãs
de Santa Ana à qual Ele me chamou a fazer parte
e Lhe peço que nos conceda a graça de
não nos conformar à mentalidade desse
mundo que busca as estradas mais cômodas, mas,
ao contrário, que sejamos ousadas na opção
de realizar o Sonho que Ele mesmo confiou aos nossos
fundadores Carlos Tancredi e Julia de Barolo, de “que
todo ser humano seja feliz”.
Irmã Fátima Marafon – Tamarana/PR
|
|