Quando Deus chama Ele mesmo vai dando as condições e abrindo os caminhos para o seguimento.
       Eu sou irmã Dalva Batista, nasci na Fazenda Três Maria distrito de Irerê/PR, no dia 17/09/1961. Ainda bem pequena meus pais mudaram-se para um outra fazenda perto de Tamarana/PR, aonde vivi até aos 22 anos quando dali sái para entrar na Congregação das Iirmãs de Santa Ana, em 1986.
     
  Sou de uma família humilde, meus pais sempre trabalharam na roça, na maioria das vezes em lavoura de café como porcenteiro ou na agricultura.
     
  Sou a segunda, de uma família de onze filhos, minha mãe tinha que ajudar nos serviços da roça para que não faltasse o alimento em casa , e por este motivo tive de aprender muito cedo a ser dona de casa e cuidar dos irmãos menores que iam chegando.
     
  Aos sete anos, comecei a estudar na escola da fazenda com meus dois irmãos, mas dias depois nasceu minha irmãzinha e tive que sair da escola para ficar em casa e cuidar

  dela, eu achei o máximo... era a minha boneca! No ano seguinte voltei a freqüentar a escola, pois ela já andava e minha mãe a levava para a roça até que eu voltasse da  escola. Quando eu chegava da escola, buscava ela e os outros irmãos, cuidava deles e dos afazeres da casa. Conclui o primário aos onze anos e tive que parar de estudar, pois no sítio tinha somente de primeira a quarta série e não pude continuar os estudos.Minha família é católica, mas não de ir a missa todos os meses, minha mãe nos levava as vezes, e isso quase sempre era motivo de briga entre meus pais, pois meu pai não gostava que ela saísse de casa. Ele não ia, e a proibia de ir à missa.
    
Ainda adolescente fui convidada a ajudar na catequese, foi assim que conheci um pouco mais a Deus e Às Irmãs de Santa Ana que moravam em Tamarana/PR. Irmã Franca, ia com o padre celebrar a missa na fazenda e enquanto ele atendia as confissões ela ficava conversando e rezando com o povo, eu morria de vontade de conversar com ela mas não tinha coragem, pois sempre fui muito tímida e de poucas palavras Eu ficava encantada com a presença dela, mas não ousava sonhar com algo tão longe de mim, era um sonho impossível. Meu pai não me deixava nem ir a missa, como que eu iria falar para ele que eu queria ser freira? Foi um tempo de angústia e oração .
    
Como catequista eu ajudava na celebração da palavra que acontecia todos os sábados a noite na escola. Certo dia, lembro-me que era Semana Santa, na quarta feira de cinzas, o ministro que fazia a celebração, falava sobre a necessidade de pessoas para pregar e celebrar a palavra de Deus, no final da celebração ele perguntou se alguém sentia-se chamado por Deus para se consagrar a Ele. Foi então que falei pela primeira vez do meu "desejo impossível" de ser religiosa. Ele ficou super feliz e disse que não era impossível e me citou um trecho do livro do Eclesiástico 2,1-6 rasgou um pedaço de papel e anotou, pediu que eu lêsse em casa o texto e se propôs a ajudar-me a convencer o meu pai. Eu disse que não queria, pois tinha medo da reação do meu pai. Mas o ministro não desistiu, conversou com a Irmã Franca e no mês seguinte no dia da missa, Irmã Franca e o padre foram na minha casa e conversaram com meu pai, mas eu nunca soube como foi a conversa, meus pais não comentaram sobre o assunto.
     Em dezembro minha cunhada daria a luz ao primeiro filho e meus pais me mandaram para Londrina/PR para ajudá-la, foi a primeira vez que saí sozinha para ficar alguns dias longe de casa. Meu outro irmão já morava em Londrina há algum tempo, trabalhava e participava de um grupo de jovens. Ele conhecia as noviças e me apresentou para a irmã Ângela Peloso que me falou de um grupo de meninas que iam fazer uma semana de experiência vocacional no convento e me convidou para participar com elas, eu fui sem que meus pais soubessem. Desta semana eu voltei decidida a enfrentar meu medo e pedir para entrar no convento no ano no seguinte. Voltei para casa conversei com minha mãe e ela conversou com meu pai, ele ficou muito bravo, disse-me que não tinha criado filha para ir para convento que filha dele ia se casar e ter um marido e uma família e não ia ficar andando pelo mundo sabe Deus com quem. Mas eu já estava decidida e continuei insistindo, depois de algum tempo ele me deixou ir, mas que fosse para sempre. E eu fui mesmo assim, com muita dor no coração. Ele e minha mãe me acompanharam até Tamarana/PR, mas ele não quis entrar ficou do outro lado da rua enquanto minha mãe me acompanhou e foi embora muito rápido.       Era dia 25/01/1986 quando fui acolhida pelas irmãs Antonieta e Helena, foi uma decisão muito difícil e dolorida pois sempre fui muito de casa apegada à família.
     Nos primeiros anos de formação meu pai nunca participou da minha vida nem com uma visita e quando eu ia de férias em casa era uma coisa muito fria ele só falava comigo o necessário. De todas as etapas de formação ele só participou da celebração dos votos perpétuos.
     Hoje sinto que ele entendeu a minha decisão, minha escolha e sente-se orgulhoso por eu ter tido a coragem de ir contra a sua vontade e para mim isto é muito importante, me sinto acolhida por ele e perdoada pela minha desobediência.
     E esta é a história do meu chamado à Vida Religiosa, uma história tumultuada, mas com a certeza da fidelidade de Deus, que não chama somente pessoas capacitadas, mas capacita os chamados. Mesmo com as minhas limitações humanas, coloco-me todos os dias diante do Senhor renovando o meu desejo de continuar respondendo o meu "Sim" de cada dia, pois estou certa de que: Quando Deus chama Ele mesmo vai dando as condições e abrindo os caminhos para o seguimento.

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